CADERNO AFEGÃO – Um diário de viagem

Retratos de um povo em moleskines

Jornalista portuguesa  revela minúcias  de uma nação com cheiros, ruídos, paladares, cores e temperaturas que conduzem o leitor a um Afeganistão ainda inexplorado

Aclamada como dona de um dos melhores e mais literários textos da imprensa portuguesa,  Alexandra Lucas Coelho reúne em Caderno Afegão as anotações da temporada em que esteve no  Afeganistão como colunista do jornal  Público, de Lisboa.  Alexandra esteve  na fronteira do

Afeganistão em  setembro de 2001,  logo após o ataque às Torres Gêmeas, e esperou sete anos para finalmente viajar pelo país. Em 2008 as esperanças de paz tinham sumido e a violência era maior que nunca. Desde o começo ela tinha a ideia de desenvolver um diário de viagem à parte das reportagens e matérias produzidas  in loco.  “Quando parti, já tinha a ideia de escrever um diário. Uso sempre cadernos Moleskine para tomar notas. Então levei quatro para as reportagens no Afeganistão e outro para o diário. Obriguei-me a escrever nele todos os dias.”

Assunto era o que não faltava para Alexandra. Entre a reportagem e o registro pessoal, a autora combina com habilidade o olhar incisivo  –  indispensável ao jornalismo  –  a uma abordagem sutil e feminina.  Em seu  Caderno, Alexandra  cunha uma obra que transcende o noticiário internacional: a partir dos relatos de experiências, impressões e encontros com os mais diversos tipos humanos, combinados em uma narrativa ágil e corajosa, o leitor é capaz de entrar em contato com o verdadeiro Afeganistão.  “A base do livro não é reportagem, mas um diário inédito.  “Depois  fui ampliando descrições, histórias, incluindo referências de livros, matérias de várias leituras  e também pedaços de reportagens nos dias em que elas aconteceram, de forma a reconstituir cada dia”, explica.

Trecho do livro

“Chamo o meu primeiro táxi da Afghan Logistics para ir ter com Jolyon Leslie à Fundação Aga Khan, na parte antiga da cidade. Chove em Cabul. Pedras, buracos, arame farpado. Polícias sinaleiros com máscaras cirúrgicas por causa da poluição, mulheres só com os olhos à mostra, burqas. Leio nomes: Liceu Malalai. Reconheço nomes dos livros de viagens: Chicken Street, Mustafa Hotel. Seguranças fortemente armados por toda a parte. Um homem de turbante e tapete ao ombro, pronto para rezar quando chegar a hora. Carrinhas Land Cruiser da ONU e carros de vidros escuros. Depois, a caminho da Cidade Velha, um bazar de velhas bancas, tomates, melões, melancias gigantes. O rio podre com colinas dos dois lados cheias de casas de terra batida, de cimento, de madeira, de zinco, casaslbarracas numa inclinação a pique, e logo em baixo letreiros da Sony Ericsson. Está vento e as túnicas enfunam ao vento. As motas e as bicicletas furam entre os carros, com mulheres e crianças agarradas ao condutor. Algumas têm máscaras cirúrgicas. A água da chuva escorre pelos degraus toscos. Passamos um cemitério cheio de bandeiras verdes. — Shahid — diz o taxista. Palavra árabe para mártires. O taxista chamalse Zabi e diz que nasceu por trás desta colina. — Mas já não vivemos aqui. Como dizem taxistas nascidos em Alfama.” p. 17)

Vestígios de esperança em uma terra desolada

Entre maio e junho de 2008, Alexandra passou por Herat, Jalabad, Kandahar, Mazar-i-Sharif, Bagram, Band-e-Amir, Bamyan e, claro, a capital Cabul, uma cidade que acorda em meio a poeira, pedras, arames farpados, engarrafamentos, tiros e corrupção, mas dorme como uma aldeia em silêncio.

Sem deixar de contextualizar os conflitos, seu foco está no dia a dia de um povo que, herdeiro de uma cultura rica e diversa, vem há décadas sofrendo com a guerra civil e as sempre violentas intervenções estrangeiras — como a ocupação soviética, no final dos anos 1970, e a presença norte-americana, iniciada em 2001, com a derrubada do regime talibã.

Durante o percurso, a autora ouviu os civis que precisam viver em meio a fogo cruzado e campos minados. Entre eles estão a jovem e audaciosa deputada Fauzia Kufi, que se recusa a se filiar a qualquer partido político e recebe constantes ameaças de morte; o empreendedor Tareq, criado nos Estados Unidos, que, após a queda do talibã, retornou à terra natal com diversos projetos, entre eles o de criar uma equipe de boxe feminino; e Shah Mohammed, também conhecido como o “livreiro de Cabul”.

Da pobreza financeira a conhecimentos filosóficos, literatura refinada e chás perfumados  com cardamomo

A autora aborda questões como espiritualidade, alimentação e vida doméstica — minúcias que se mostram extremamente reveladoras da condição afegã. O livro ainda descreve a degradação e o sofrimento a que as mulheres estão sujeitas em uma sociedade onde até no necrotério os cadáveres são segregados por gênero. Ao lado de instituições como  o Crescente Vermelho — equivalente à Cruz Vermelha Internacional — e a Fundação Aga Khan, há uma movimentação popular para promover e reconstruir os valores da sociedade civil. É Alexandra mesmo quem descreve o que mais a impressionou na sua temporada afegã:

“A família de Cabul que desmonta todas as ideias feitas: uma família tão pobre que cozinha ovos num bujão de gás, mas tão  rica que lê Wittgenstein e coleta dinheiro entre parentes e amigos para enviar as suas várias filhas a estudar na Europa e nos Estados Unidos, sendo que todas elas querem voltar ao Afeganistão e fazer algo pelo país. Uma família em que a mãe, professora, se senta ao lado das filhas de cabeça descoberta e dos amigos, rapazes, que as vêm visitar, e o pai, filósofo, convalesce num quarto cheio de livros, tudo isto numa modestíssima casa de Cabul”.

Em  Caderno Afegão, Alexandra Lucas Coelho faz com que os olhos ocidentais sejam capazes de reconhecer que o Afeganistão, mais do que uma zona de guerra e fundamentalismo, é uma nação com nomes, rostos, planos e ideais humanos a seus habitantes.

Sobre a autora

Alexandra Lucas Coelho nasceu em Lisboa, em 1967. Jornalista e escritora, é correspondente do jornal Público no Rio de Janeiro. Estudou teatro e ciências da comunicação. Começou sua carreira no rádio nos anos 1980.

Foi jornalista da RDP de 1991 a 1998 e desde então trabalha no  Público, onde editou os suplementos “Leituras” e “Mil Folhas”, foi editora de Cultura e atualmente integra a equipe de Grandes Repórteres. Em 2001, começou a viajar pelo Oriente Médio e pela Ásia Central. Entre 2005 e 2006, esteve dois meses baseada em Jerusalém como correspondente.

 Recebeu prêmios de reportagem do Clube Português de Imprensa, do Caderno Afegão. Casa da Imprensa e o Grande Prêmio Gazeta 2005. É autora dos livros Oriente Próximo, Viva México e Tahrir – Os dias da revolução no Egito. Seu primeiro romance, E a noite roda, está no prelo, com lançamento previsto para março de 2012.

Informações bibliográficas

CADERNO AFEGÃO
Um diário de viagem
ALEXANDRA LUCAS COELHO
14 x 21cm, 312p.
Viagem, reportagem, cultura
ISBN 9788563876232

Nem paz nem guerra – Três décadas de conflito no Saara Ocidental.

Saara Ocidental: a última colônia africana grita pela independência

Em conflito com o Marrocos há 35 anos, os saarauis reivindicam reconhecimento

Muito perto dos países do Norte da África que protagonizam uma onda de rebeliões contra regimes despóticos está o Saara Ocidental, um território que viveu sob fogo cruzado durante dezesseis anos e, há 35, espera por solução e reconhecimento. Para compreender a realidade por trás dessa guerra esquecida, as jornalistas Giovana Moraes Suzin e Laura Daudén foram a campo conhecer os homens e mulheres que, em ambos os lados, sofrem com a espera e com a iminência de um retorno ao conflito armado. O resultado desta empreitada é o livro-reportagem

 Nem paz nem guerra – Três décadas de conflito no Saara Ocidental.

O livro traça um panorama político, econômico e, sobretudo, humano da guerra e mostra os bastidores da disputa pelo território  –  que envolve governos, organizações internacionais, ativistas e empresas. Após  analisar a evolução do conflito ao longo dos anos, as jornalistas foram em busca de respostas. Por que a Espanha abriu mão de sua colônia africana? Qual o seu papel no conflito atualmente? Quais interesses  estão  por trás das decisões políticas? De que maneira esse conflito se insere em um contexto mais amplo, de equilíbrio de forças no Norte da África? Por que a ONU não conseguiu organizar, ao longo de vinte anos de reivindicações, um referendo em que  a população possa escolher entre a independência e a integração ao Marrocos? O que motiva o silêncio da Europa e dos Estados Unidos? Qual a posição do Brasil, que assume um papel cada vez mais importante na comunidade internacional?

Vídeo feito pelas autoras contando um pouco da história do livro

Um povo dividido por um muro

Durante dezesseis anos, o Saara Ocidental viveu dias de guerra em seu território. A partir de 1991, depois da morte de milhares de pessoas e gastos incalculáveis em armamento, conseguiu-se chegar a um cessar-fogo. Durante a contenda, como forma de tentar manter a fronteira dos territórios já conquistados, o Marrocos construiu um muro de 2.200 quilômetros que até hoje divide o Saara Ocidental: 7/8 seguem sob controle marroquino; 1/8 está nas mãos dos saarauis. Nesta última região, chamada de Zonas Liberadas, ainda há nômades – que ziguezagueiam entre milhares de minas terrestres  –  e soldados  do exército saaraui. Mais a oeste, já dentro da fronteira argelina, estão cinco acampamentos  de refugiados. Ali, na região mais inóspita do deserto, sobrevivem cerca de 200 mil pessoas.

Trecho do livro

“Brahim Sabbar tinha 20 anos quando foi capturado, em 1981, com mais de setenta pessoas, entre elas mulheres, crianças e idosos. Ele foi acusado de criar novas células da Polisário e de distribuir panfletos e bandeiras através da Associação de Belas-Artes e Teatro que tinha na cidade de Dakhla. Nunca foi julgado. Nos seis primeiros meses em que esteve preso, foi torturado e passou o tempo todo com olhos vendados e mãos atadas. O pior, para Sabbar, foi ouvir o som de outros sendo torturados, principalmente de mulheres. Foi transferido para diferentes prisões e não tinha contato com o mundo exterior. Em uma delas, se encontrou com prisioneiros que haviam sido detidos em 1975 e que já eram considerados mortos. […] todos os exLdesaparecidos denunciam as condições sanitárias nas prisões, e alguns têm  até hoje  enfermidades crônicas provocadas pela situação. O Marrocos reconhece que 52 prisioneiros morreram enquanto estavam encarcerados. Há ainda 534 pessoas desaparecidas.” (p. 99-100)

As jornalistas conversaram com essas pessoas e também com aquelas que seguem no território controlado pelo Marrocos. Elas descobriram que, depois de tanto tempo, em ambos os lados do muro, permanece o desejo de ser parte de um país reconhecido. O registro fotojornalístico que acompanha o texto registra os hábitos, costumes, casas e ruas do Saara Ocidental, assim como as regiões desérticas onde a paisagem é cortada por milhares de moradias. Estas,  por causa da esperança que se renova há  anos, ainda são improvisadas,  como se o dia de voltar para casa sempre fosse amanhã. A precariedade do cotidiano, no entanto, não tem mais valor do que os sonhos e dilemas que se escondem por trás de cada rosto retratado.

“Nem paz nem guerra”

Nem paz, nem guerra. Essa é a maneira como os saarauis se referem a esse longo período de indefinições que se estende desde o cessarMfogo até os dias de hoje. O conflito armado já não existe, mas nenhum acordo de paz ainda foi assinado. A violência, no entanto, continua: tem a cara dos protestos que acontecem com frequência no território sob controle do Marrocos; tem a cara das milhares de minas terrestres que ainda contaminam o solo do lado dos saarauis. A violência também paira  nos campos de refugiados, onde a indignação cresce na medida do sofrimento e o retorno às armas está na boca dos jovens que ainda não viram o resultado da diplomacia.  A ONU considera o Saara Ocidental um território não autogovernado, mas não reconhece a república fundada no exílio em 1976. O Tribunal Internacional de Justiça de Haia reconhece que a ocupação do Marrocos é ilegal. Na região dos acampamentos, na Argélia, a população desenvolveu uma forma própria de organização, numa espécie de  parlamentarismo tribal. Possuem  um presidente e realizam assembleias, mas alguns órgãos  internacionais denunciam a longa permanência dos mesmos representantes no poder.

Todas as crianças são alfabetizadas e, ao ingressarem no  ensino  médio, têm a possibilidade de concluir os estudos nos países que apoiam a independência, como Cuba, Qatar, Argélia,  Líbia. Existem também escolas especiais para crianças com deficiências físicas ou mentais. As mulheres, apesar da tradição de usarem roupas que as cubram da cabeça aos pés, têm autonomia para participar de todos os setores da sociedade, inclusive o político. A única tarefa exclusiva dos homens é a de pegar nas armas.

Além da sensação de conflito iminente,  os nômades e os refugiados  enfrentam desnutrição, já que não dispõem de alimentação suficiente. E dependem inteiramente do recebimento de doações feitas por organizações não governamentais.

 As autoras

GIOVANA MORAES SUZIN é formada em jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e em história pela Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc). É repórter da Editora Abril.

LAURA DAUDÉN cursou jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e é mestre em relações internacionais e estudos africanos pela Universidad Autónoma de Madrid. É repórter da revista  IstoÉ  e colaboradora da revista espanhola Pueblos.

Informações bibliográficas

NEM PAZ, NEM GUERRA
Três décadas de conflito no Saara Ocidental
GIOVANA MORAES SUZIN E LAURA DAUDÉN
14 x 21cm, 232p.
Reportagem, relações internacionais, política externa
ISBN 978-85-63114-15-0

Sogras: personagens tão ambíguas quanto surpreendentes

Médica inglesa apresenta histórias e curiosidades relacionadas a sogras famosas e anônimas de todos os tempos

No imaginário ocidental, elas têm sido foco de temor, irritação, chacota e até ódio. Em diferentes culturas, o desconforto ronda a nomenclatura “sogra”, eternizada como vilã em potencial desde os contos de fada até os blockbusters contemporâneos.

O papel das sogras nas sociedades de todos os tempos, porém, é muito mais complexo do que os estereótipos podem fazer supor. E exemplos não faltam. Foic om essa premissa que a médica e escritora inglesa Luisa Dillner, colunista do The Guardian, decidiu pesquisar como as sogras têm sido vistas por diferentes culturas, ao redor do mundo e no decorrer dos séculos. Em uma investigação inusitada, incluindo nomes como Marylin Monroe, Edgar Allan Poe, Virginia Woolf e a princesa Diana, a autora levantou histórias peculiares sobre as mães de seus  parceiros.

O resultado é O livro das sogras: Uma celebração. Os capítulos dão conta de histórias de quem amou e de quem odiou suas sogras; descrições de rituais, tratamentos e as mudanças de comportamento que têm pautado a complexa relação entre genros e sogras; e tudo o mais relacionado ao tema: relatos de noras felizes com suas sogras, poemas e canções sobre o tema, receitas como o coquetel e a canja da sogra, dicas para ser uma boa sogra e como estas são chamadas em diferentes línguas mundo afora.

Estão lá causos e curiosidades sobre as sogras desde a mitologia romana (Vênus ficou muito enciumada ao ver seu filho encantado pela beleza de Psiquê) até a era digital, onde a internet se tornou ao mesmo tempo campo de batalhas e mural de elogios para sogras e noras.

Trechos do livro

“A história está cheia de citações de sogras que subestimaram os genros. A sogra do compositor norueguês Grieg comentou sobre ele: ‘Ele não é nada e não tem nada, e escreve música que ninguém quer ouvir’.O primeiro encontro entre a sogra e a nora é também matéria-prima de lendas por ele poder determinar o rumo do relacionamento. Foi com essas preocupações em mente que a atriz de cinema Marilyn Monroe foia presentada à mãe do dramaturgo Arthur Miller, de quem já estava noiva. O casal foi jantar no pequeno apartamento da sra. Miller, no Bronx, e Marilyn estava sedando bem com a futura sogra. Porém, um pouco antes de saírem, ela precisou ir ao banheiro. Havia apenas uma porta fina entre a sala de estar e o banheiro, então, para evitar o constrangimento de eles a ouvirem no outro cômodo, ela abriu as torneiras da pia. Ao sair, eles se despediram e, no dia seguinte, Arthur telefonou para a mãe e perguntou: ‘Gostou dela?’.E ela respondeu: ‘Ela é doce. Uma garota maravilhosa, mas urina como um cavalo!’.”(p.28)

Leia o 1º capítulo

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Casos de amor e ódio

Na contramão do que prega o senso comum, Luisa Dillner mostra que há na História inúmeras provas de amor, por vezes incondicionais, entre sogras e genros. Edgar Allan Poe, por exemplo, nutria tanta adoração por sua sogra que, em sua ausência, escreveu cartas desesperadas de saudade, e em uma delas chegou a declarar –“a amo mais do que 10mil vidas”; acabaram enterrados lado a lado. E o poeta inglês John Keats morreu jovem demais (com apenas 24 anos) para se casar oficialmente com a bela Fanny, mas foi a mãe desta quem cuidou de sua tuberculose.

Por outro lado, há registros de repulsa por toda parte. Os  korawais, em Papua Nova Guiné, não podem entrar no campo de visão de suas sogras, e vice-versa; a comida de ambos é preparada separadamente, e não é permitido que dividam louças e talheres entre si. Em Delhi, o Supremo Tribunal determinou que um marido pode se divorciar de sua mulher se esta se recusara conviver harmoniosamente com a sogra. Enquanto isso, na Itália, as sogras estão sendo acusadas pelo aumento das separações: uma pesquisa divulgou que a taxa de divórcio aumentou em quase 50% entre 2000 e 2002 e que há registros de que três em dez casamentos fracassaram por causa da ligação íntima incomum dos homens italianos com suas mães.

Vilãs ou santas, alvos de antipatia ou de gratidão infinita, o que a obra de Luisa Dillner confirma, com suas inúmeras histórias saborosas e polêmicas, é que existem sogras de todo o tipo. Em comum, porém, um traço inconteste: não passam despercebidas. Impossível olhá-las do mesmo jeito depois da leitura deste livro.

A autora

A médica e escritora inglesa LUISA DILLNER é colunista de  The Guardian  e foi diretora de publicações do British Medical Journal Publishing Group. Colabora para vários jornais e revistas, como Vogue, Cosmopolitan e Observer. A maternidade é um tema recorrente em seus textos que, não raro, são considerados fonte de ideias inovadoras. A autora vive em Londres, com seus quatro filhos.

Dados bibliográficos

O LIVRO DAS SOGRAS
Uma celebração
LUISA DILLNER
Trad. Lourdes Sette
14x 21cm, 320p.
Não ficção, comportamento, cultura, relacionamentos familiares
ISBN 9788563876171

Para entender a indústria do futebol mundial – Soccernomics

Soccernomics

Obra disseca os bastidores do futebol com análise de dados e curiosidades da
cultura e da economia do esporte

Livro-sensação em vários países, Soccernomics tem sido aclamado como uma das mais reveladoras obras sobre o futebol. E também como uma espécie de equivalente futebolístico do célebre  Freakonomics. Além da óbvia inspiração do título, afinal, a obra também aplica princípios socioeconômicos na explicação de fenômenos cotidianos –– no caso, da rotina que envolve o mundo da bola –– o livro é, como o primo-irmão que se tornou best-seller planetário, recheado de ideias revolucionárias, provadas por meio de um vasto aparato de dados e análises.

Com estatísticas impressionantes e verdadeiros furos de reportagem, a dupla (formada por dois ingleses, um jornalista esportivo, Simon Kuper, e um economista, Stefan Szymanski) apresenta dados espantosos, todos eles provados com tabelas, gráficos e estudos de caso.

O subtítulo resume a carga de polêmica e as doses de profecias que habitam suas páginas: “Por que a Inglaterra perde, a Alemanha e Brasil ganham, e os Estados Unidos, o Japão, a Austrália, a Turquia — e até mesmo o Iraque — podem se tornar os reis do esporte mais popular do mundo”. Fato é que, num terreno minado por tantas paixões e superstições, a dupla de autores deu forma a um dos mais cerebrais, meticulosos e envolventes estudos sobre o mercado do futebol. Em uma tacada só, Kuper e Szymanski juntaram a análise de dados, a estatística, o jornalismo, a economia e a sociologia para compreender o futebol em suas diferentes facetas. E com isso deram origem ao mais completo e interessante registro dos bastidores do esporte mais popular do mundo.

O futebol inglês discrimina os negros? Por que os clubes não ganham dinheiro? Torcedores são polígamos? As pessoas saltam do alto de prédios quando seus times perdem? Os pênaltis são realmente injustos? São perguntas como essas que norteiam Soccernomics. Os autores justificam: “Queremos introduzir novos números e novas ideias no futebol: números de suicídios, de gastos em salários, de populações de países, de tudo que ajude a revelar novas verdades sobre o esporte”.

Trechos do livro

“Mudar para um emprego em outra cidade sempre é estressante; mudar para outro país é ainda mais. O desafio de se mudar do Rio de Janeiro para Manchester envolve ajustes culturais que não se comparam a se mudar de Springfield, Missouri, para Springfield, Ohio. Mas os clubes europeus que pagam milhões de dólares por jogadores estrangeiros com frequência não estão dispostos a gastar alguns milhares a mais para ajudá-los a se instalar em suas novas casas. Em vez disso os clubes normalmente dizem: ‘Tome uma passagem de avião, venha e jogue de forma brilhante desde o primeiro dia’. O jogador não consegue se adaptar ao novo país tem um desempenho medíocre e o passe pago pela transferência é desperdiçado. ‘Realocação’, como o setor de consultores de adaptação chama isso, é uma das maiores ineficiências do mercado de transferências.” (p. 66)

“Embora Romário tenha trocado o PSV pelo Barcelona em 1993, ele continua a ser um ídolo na Holanda. Quando as pessoas do PSV se lembram dele hoje, não falam sobre seus gols, mas sobre suas estripulias fora de campo. Hans van Breukelen, na época goleiro do time, ainda se encanta com a frase-padrão de Romário, dita em seu holandês imperfeito, mas bastante eficiente: ‘Eu sou Romário e quero fazer sexo com você’.” (p. 72)

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Algumas das informações reveladas em  Soccernomics derrubam mitos antigo sem torno do futebol. É o caso da velha ideia de que mais pessoas cometem suicídio durante a Copa do Mundo; Szymanski e Kuper provam exatamente o contrário – o futebol, em vez de estimular suicídios, impede que milhares de pessoas se matem.

Muitos desses estudos de caso interessam especialmente a nós, brasileiros, protagonistas de muitas páginas de Soccernomics, que ganhou conteúdo exclusivo para a edição brasileira, mais completa e polêmica que a original. O livro comenta as dificuldades que os jogadores brasileiros têm de se adaptar à cultura europeia, sobretudo quando são comprados por times do Norte. E revelam como essas dificuldades provocam impactos em suas atuações. Por outro lado, relembram histórias pitorescas de nossos craques – como os atacantes Romário, Ronaldo, Robinho, e o goleiro Marcos, por exemplo. E tocam, ainda, num tema crucial para o país: o que podemos esperar das próximas Copas do Mundo, como competidores e como anfitriões.

Soccernomics expõe, ainda, os principais motivos do fracasso de alguns técnicos. Analisa o papel dos mais importantes campeonatos de futebol do mundo. Aborda os efeitos que os principais preconceitos que gravitam sobre o esporte exercem sobre as atuações de jogadores e times. Mostra a evolução e o impacto da audiência em diferentes países, o resultado das pressões das torcidas sobre os clubes. E traça um mapa atualizado da geopolítica do futebol.

Os autores

SIMON KUPER – Um dos maiores cronistas de futebol reconhecido internacionalmente. Seu livro  Soccer Against the Enemy ganhou o prêmio William Hill de Livro de Esportesdo Ano, na Inglaterra. Kuper é colunista esportivo do Financial Times. O autor vive em Paris.

STEFAN SZYMANSKI – Professor de economia da Cass Business School, emLondres, é considerado um dos maiores economistasesportivos do mundo. O autor vive em Londres.

Dados Bibliográficos

SOCCERNOMICS
Por que a Inglaterra perde, a Alemanha e o Brasil ganham, e os Estados Unidos, o Japão, a Austrália, a Turquia – e até mesmo o Iraque – podem se tornar o esporte mais popular do mundo.
SIMON KUPER & STEFAN SZYMANSKI
16 x 23cm, 312p.
Futebol, economia, negócios, sociedade, cultura
ISBN 9788563114105