Sergio Britto: O Teatro & Eu – Memórias

Teatro e Eu, autobiografia de Sérgio BrittoUma das figuras centrais na história da dramaturgia brasileira, Sergio Britto comemora 65 anos de carreira em 2010. Em todo esse período, interpretou os mais variados papéis, em diversas frentes das artes brasileiras. Como ator — o mais longevo em atuação hoje —, viveu inesquecíveis e variados personagens, dos clássicos shakespearianos aos tipos avassaladores do teatro de vanguarda. Como diretor e produtor, foi responsável pela realização de grandes textos, musicais e óperas. Foi ainda crítico e espectador contumaz. Agora, assume um papel especialíssimo, inédito: o de narrador de sua própria história, em primeira pessoa.No livro O TEATRO & EU, Sergio Britto passa em revista os fatos de sua vida pessoal e profissional que foram decisivos para sua construção como artista e os episódios que marcaram a história da arte dramática brasileira moderna e contemporânea.

Nasci na rua da Alfândega, num sobrado onde as famílias moravam em cima e os turcos comerciavam embaixo.

Na gênese de Sergio Britto, já surge a amálgama que compõe, deliciosamente, seus itinerários pela dramaturgia. Em O TEATRO & EU, lançamento da Tinta Negra Bazar Editorial, o artista traça uma retrospectiva minuciosa de sua vivência nas diversas esferas do teatro, da TV e do cinema. Enquanto isso, deixa entrever, de maneira sutil, a personalidade do homem por detrás dos personagens.

Dotado de memória prodigiosa, o ator resgata a sua estreia nos palcos, quando ainda cursava a faculdade de medicina. Narra a criação e os bastidores dos grupos e espaços teatrais mais importantes do país — como o Teatro Universitário, o Teatro de Arena, o Teatro dos Doze, o Teatro Maria Della Costa, o Teatro dos Sete, o Teatro Senac, o Teatro dos Quatro, o Teatro Delfim, além dos teatros do CCBB. Relembra os tempos de teleteatro e a posterior experiência como ator e diretor de novelas. Revela segredos de coxia. E ainda traz à tona os principais desafios que atravessaram sua carreira, como os problemas de audição e com a voz, os entreveros com a ditadura militar e os obstáculos financeiros impostos por situações como o corte de verbas do governo Collor.

Sergio é um artista que trabalha furiosamente. É incansável. Tenho o privilégio de conhecê-lo há mais de 50 anos e de ter construído com ele alguns capítulos do teatro brasileiro.” Ítalo Rossi, ator

Sergio Britto descreve, em detalhes, episódios íntimos de sua vida nunca antes sob holofotes. Alguns bastante intensos, como a tentativa de suicídio na juventude, a descoberta da sexualidade e a relação por vezes sufocante que travava com a mãe. Outros, recortes pitorescos de tempos distintos, pontuados por sua verve de espectador voraz e pelo flerte constante com outras manifestações de arte, como o cinema, a literatura, os museus, as óperas.

Nas páginas de O TEATRO & EU habitam personagens reais sob ângulos inusitados. Um Vinicius de Moraes que, ainda reconhecido mais como diplomata do que como poeta, desencoraja Britto a escrever versos e o incentiva a investir na sétima arte. Um Jô Soares adolescente — “apenas gordinho” —, frequentador de uma churrascaria na rua Siqueira Campos. Um Paulo Francis incompreendido. Um Joãozinho Trinta que trabalha como contrarregra do Theatro Municipal. Ao rememorar sua trajetória, Britto também recorda o impacto da convivência com estrelas de diferentes gerações. De Dulcina de Moraes a Regina Casé, ele tece, de forma descontraída, os pontos de ligação no espaço celeste da dramaturgia brasileira.

Para ser ator, é preciso ser uma paixão absoluta; para tentar teatro, é necessário que teatro seja a coisa mais importante da sua vida; se assim não for, desista, teatro não é o seu lugar.” Sergio Britto

Dono de um texto saboroso, sem papas na língua, o autor/ator convida os leitores a um passeio memorável pela história do teatro brasileiro, repleto de opiniões e comentários argutos. Mas faz, sobretudo, uma jornada rumo ao contemporâneo. O TEATRO & EU é a demonstração mais sincera de que, do alto dos seus 86 anos, Sergio Britto não para de se redescobrir. E com isso, também não cessa de se surpreender, e de nos surpreender, com as possibilidades de sua arte.

Dados bibliográficos
TEATRO & EU
SERGIO BRITTO
15,5 x 23cm, 416 p.
Biografa, teatro, cinema, cultura
ISBN 9788563114082

Metendo o pé na lama – a história do Rock in Rio (1985)

A história do maior festival de rock que o Brasil já viu

Cid Castro, o publicitário que criou a marca Rock in Rio, narra episódios ainda obscuros por trás do evento.

Metendo o pé na lama - Cid CastroQuando o Iron Maiden subiu ao palco na noite daquela sexta-feira, 11 de janeiro de 1985, não houve problema de som, embargo de político ou previsão de Nostradamus que segurasse a plateia enlouquecida pulando no terreno lamacento de Jacarepaguá. Era o Rock in Rio, o maior festival do gênero que o país já viu —e, até hoje, 25 anos depois, um manancial inesgotável de histórias e curiosidades que marcaram época.

Cid Castro, o publicitário quecriou a marca do mega evento —aquela que traz o mapa da América Latina desenhado no braço de uma guitarra —, não só viveu intensamente os dez dias seguidos de rock’n’roll, como também acompanhou todo o seu processo de preparação. Na época assistente de ilustração da Artplan, a agência de publicidade responsável por todo aquele barulho, Cid foi testemunha de todos os passos rumo à Cidade do Rock, desde que Roberto Medina deixou um bocado de gente de cabelo em pé ao anunciar que faria o maior festival de todos os tempos.

Trechos do livro

O longo corredor dos camarins era ladeado por dezenas de portas e parecia a Marquês de Sapucaí, dada a quantidade de plumas e paetês que por ali passavam. Empresários, produtores, músicos, e babás de artistas desfilavam naquela passarela da fama.

De repente, abre-se uma porta bem à minha frente e sai toda a banda do Whitesnake correndo. Pensei que eles estavam atrasados para o show. Mas, ao chegarem até a entrada do palco, voltam correndo até a porta do camarim e tornam a fazer isso repetidas vezes.Que doideira era aquela? Quando começaram a fazer flexões é que reparei que um personal trainer dava as ordens. Ou seja, eles estavam se aquecendopara entrar no palco. Era impressionante ver o profissionalismo das bandas do metal.

Solicitaram a retirada de todas as bebidas alcoólicas do camarim, que foram substituídas por sucos naturais e muita água, pois a gringalhada estava derretendo no verão carioca. Junto com um massagista, um nutricionista completavaotratamento com cardápio bem balanceado. (p. 174-175)

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Metendo o pé na lama passeia, com muito humor e uma prosa sem papas na língua —bem ao estilo do evento —, pelos tresloucados episódios que fizeram da gigantesca festa rock uma ocasião inesquecível para milhares de pessoas. Das dificuldades em conseguir um patrocinador até os peculiares hábitos dos astros internacionais, o autor conta, com riqueza de detalhes, como foram os bastidores do festival.

Foi nos bastidores, afinal, que ele viu a turma do Whitesnake substituir a atitude hard rock por inocentes flexões e sucos naturais. Testemunhou o piti de Fred Mercury, que, alegando uma “indisposição”, recusava-se a entrar no palco. Presenciou o sufoco da produção, que teve de percorrer, às pressas, todos os motéis da Barra e de Jacarepaguá para satisfazer a uma exigência de última hora de Rod Stewart: 70 toalhas brancas em seu camarim. E ficou surpreso ao constatar que Ozzy Osbourne preferia devorar pratos de salada a pintinhos e morcegos.

Colega de agência de um então desconhecido Nizan Guanaes e pupilo do papa da ilustração José Luís Benício, Cid Castro contatambéma apreensão doclima carioca nos meados dos anos 80, quando a abertura política enfim se concretizava,e a juventude, por tanto tempo oprimida, curtia não só o rock como os outros elementos da famosa tríade: o sexo e as drogas.

Metendo o pé na lama contémainda depoimentos exclusivos de artistas que se apresentaram e jornalistas que cobriram o festival, além de imagens marcantes do evento que há 25 anos se consagrou como o maior e melhor da história do rock.

O autor
Com mais de 20 anos de experiência na publicidade e propaganda, no Brasil e no exterior, Cid Castro  iniciou sua carreira na Denison Publicidade, no Rio de Janeiro, em 1982. No mesmo ano foi contratado pela Artplan Promoções. Em 1984, criou a marca do Rock in Rio Festival. Trabalhou na Artplan até o final da década de 1980, quando se mudou para a Europa. Lá, integrou a equipe da JW Thompson Publicidade e se tornou diretor de criação da DDB Publicidade Lisboa. Atualmente vive emPortugal e trabalha como freelancer.

Dados Bibliográficos
METENDO O PÉ NA LAMA
Os bastidores do Rock in Rio de 1985
CID CASTRO
14 x 21cm, 264p.
Música, publicidade, anos 80
ISBN 9788563114068