Boa comida e boas histórias à la carte

Nós ainda estamos começando a criar nossa “estante” de livros de gastronomia e os três acima apresentados são o resultado de investimentos em, não apenas, bom paladar mas no prazer que todos que cozinham têm de contar histórias e também falar de suas receitas.

Este é o caso de Bulbul Sharma (Nova Delhi, 1952), a escritora indiana que, em A Ira das Berinjelas, fala não apenas de comidas exóticas para nós, ocidentais, mas também daquilo que é comum a todas as mulheres, não importando em que ponto cardeal esteja. Os ingredientes podem parecer distantes ou, novamente, exóticos; porém, se nos ativermos a história veremos que a pimenta, um dos ingredientes que Sharma usa para temperar as relações humanas em suas histórias foi praticamente responsável pela chegada dos portugueses à Índia (As Índias, como se dizia no século XV) e daí em diante o resto é história. E que outras especiarias e molhos  nos fazem sentir um imenso prazer? Ela nos apresenta ao cominho, feno grego, açafrão e curry.

Nas doze histórias de Bulbul Sharma, a comida — de jantares elaborados à mais simples compota — é o principal elo entre os personagens e o insaciável mundo em que vivem.

Se bem que algumas receitas sejam verdadeiros segredos de Estado e somente com um trabalho de detetive podemos saber qual ou quais ingredientes especiais entraram na composição daquela iguaria.

Digamos que este quase foi o trabalho de Fabiano Dalla Bona, Doutor em Língua e Literatura Italiana (UFRJ), escritor (ele já escreveu Literatura e gastronomia  – um casamento perfeito) e chef de cuisine nas horas vagas, ao buscar os segredos das receitas das cozinhas dos monastérios, conventos e abadias e nos apresentou pratos – cerca de 100 receitas – como  de fazer mesmo agradecer aos céus a sua elaboração, no livro O céu na boca.

Lagosta de São Sebastião; Berinjelas de São Bernardo; Olhos de Santa Luzia; Sapatinhos de Santo Hilário; Pamonha de São Jorge; Ossos de Santo Expedito; Sacristãos de Queijo; Javali agridoce à moda do papa Alessandro Vi; Bacalhau à padre Antônio; Barrigas de freira; Pudim à Madre Paula; Espaguete da ermida;Arroz vermelho do Mosteiro dos Frades de La Luz; Carne à moda do convento franciscano; Frango do papado provençal; Torta do Paraíso; Amores da Cúria; Sopa do Domingo de Ramos; Salame do papa; Pan de muertos; Lentilhas de Ano-Novo; Ovos no Purgatório; Filé do Diabo; Feijões do Inferno; Bolo Quinto Pecado; Sopa de pedra; Quindim dos Sete Pecados.

Ao mesmo tempo, todos temos um quê de curiosidade sobre as celebridades, não? Tanto que as revistas especializadas sobre o assunto são as mais vendidas. Percebe-se que sempre se mostra a casa (veraneio ou residência) e também o que essas pessoas gostam de comer ou até mesmo o seu prazer em cozinhar. E, mais uma vez, o “detetive” Dalla Bona vasculhou arquivos, escaninhos e demais registros para nos contar quais são os pratos preferidos de personalidades mundiais como, por exemplo, Tom Jobim que adorava frango na brasa ou Giuseppe Verdi, que ficava com os olhos cintilantes e o paladar aguçado ao saber que lhe prepararam um risoto de presunto e aspargos.

Além disso, o livro Fama à mesa, também nos mostra que personalidades foram homenageadas tendo um prato famoso levando seu nome ou vice-versa:

Luís XV, a ex-miss Brasil Marta Rocha, Luciano Pavarotti, Eça de Queiroz, Marcel Proust, Sophia Loren, Frank Sinatra e até mesmo Miss Marple, a detetive de Agatha Christie.

A obra é dividida em seis capítulos: “Receitas de homens famosos”, “Receitas de mulheres famosas”, “Receitas musicais”, “Receitas da realeza”, “Receitas de grandes escritores e personagens literários”, “Drinques famosos”. Cada tema oferece histórias curiosas e, por vezes, divertidas, que expõem o lado desconhecido de homens e mulheres marcantes que atraíram notoriedade.

Flix, o cartunista alemão, tem seu livro de HQ publicado no Brasil

A Alemanha dividida e reunificada, pela linguagem dos quadrinhos

Um dos mais festejados cartunistas contemporâneos, Flix mistura autobiografia, história, jornalismo e quadrinhos, um estilo em plena ascensão

Num  domingo  de  2006,  o  jornal  berlinense Tagesspiegel  publicou  uma  nova  história  de  Felix Görmann, cartunista alemão mais conhecido  internacionalmente como Flix. Sucesso não só em seu país de origem, mas em várias partes do mundo com suas séries autobiográficas, o artista desta vez aparecia sob a pele de um garoto  de 8 anos, cheio de curiosidades, ilusões e impressões a respeito do cotidiano num país dividido  por um muro. Eram as suas próprias lembranças da infância na Alemanha rachada pelo Muro de Berlim, transformadas em quadrinhos. A tirinha fez tanto sucesso que Flix logo começou a perguntar a amigos e parentes quais eram as suas recordações da RDA e da RFA, da democracia e da ditadura.

O livro Quando lá tinha o muro… Lembranças daqui e de lá reúne os quadrinhos criados a partir das mais de 30 entrevistas, são depoimentos capturados pelo traço despojado e pelo bom humor característico do cartunista alemão. Além disso, a publicação marca, enfim, a chegada ao Brasil da obra de Flix, um dos autores de quadrinhos mais festejados na Europa.

Como de praxe nas tirinhas do  artista  alemão, as lembranças reunidas no  livro remontam a narrativas comuns, fragmentos do cotidiano tocados pelos radicalismos da grande História. Por isso mesmo seus cartoons são tão cativantes. As memórias que surgem no cenário da Alemanha dividida partem de impasses corriqueiros, de delicados e inventivos meandros da imaginação infantil ou juvenil. Será que, do outro lado, tanques de guerra de brinquedo são considerados perigosos? Do lado de lá nunca clareia de verdade, pois fábricas enormes escurecem o céu? O muro é como uma tábua? O outro lado é, de uma forma ou de outra, um mistério no limiar entre o divertido e o melancólico, entre o medo e o desejo, a curiosidade e a audácia.

Do outro lado vêm histórias proibidas do James Bond, vem o único bordão que o periquito conhece, vem uma paixão desconhecida e perdida e vêm os boatos de que, lá, as pessoas são todas teleguiadas. Mas vêm também fantasmas e traumas difíceis de esquecer, saudades e descobertas nem sempre felizes.

Com uma sinceridade comovente, Flix compõe em Quando tinha o muro… um mosaico de sensações sobre um período histórico  tão marcante na História recente, conseguindo surpreender o leitor a cada tirinha. Descendente dos artistas franco-belgas e de suas histórias de teor universal, entre a elegância e a objetividade, Flix é um mestre dos traços simples e da narrativa curta. Um artista que tem ajudado, com sua despretensiosa genialidade, a aumentar o rol de quadrinistas a adotar, com sucesso, a autobiografia como mote para suas tirinhas.

Sobre o autor

Flix nasceu em 1976, na cidade alemã de Münster/Vestfália. Estudou design de comunicação em Saarbrücken e Barcelona e atualmente vive em Berlim. Vencedor de vários salões de humor, ficou conhecido por sua história em quadrinhos Heldentage (Diário* de*um*herói, em português), uma espécie de autobiografia. Com essa HQ, conquistou o prestigiado prêmio Max und Moritz de 2004, assim como os prêmios  ICOMdIndependent Comic Prize, Award from the Newcomer Competition of the Art Directors’s Club Germany, Award from the LuckyStrike Junior Designer Award, First Swiss Cartoon Award, Award for “VerFLIXt “dcartoons. Publicou mais de 10 livros e seu trabalho já foi editado em línguas como espanhol, francês e coreano.

Mais informações sobre o autor

Sogras: personagens tão ambíguas quanto surpreendentes

Médica inglesa apresenta histórias e curiosidades relacionadas a sogras famosas e anônimas de todos os tempos

No imaginário ocidental, elas têm sido foco de temor, irritação, chacota e até ódio. Em diferentes culturas, o desconforto ronda a nomenclatura “sogra”, eternizada como vilã em potencial desde os contos de fada até os blockbusters contemporâneos.

O papel das sogras nas sociedades de todos os tempos, porém, é muito mais complexo do que os estereótipos podem fazer supor. E exemplos não faltam. Foic om essa premissa que a médica e escritora inglesa Luisa Dillner, colunista do The Guardian, decidiu pesquisar como as sogras têm sido vistas por diferentes culturas, ao redor do mundo e no decorrer dos séculos. Em uma investigação inusitada, incluindo nomes como Marylin Monroe, Edgar Allan Poe, Virginia Woolf e a princesa Diana, a autora levantou histórias peculiares sobre as mães de seus  parceiros.

O resultado é O livro das sogras: Uma celebração. Os capítulos dão conta de histórias de quem amou e de quem odiou suas sogras; descrições de rituais, tratamentos e as mudanças de comportamento que têm pautado a complexa relação entre genros e sogras; e tudo o mais relacionado ao tema: relatos de noras felizes com suas sogras, poemas e canções sobre o tema, receitas como o coquetel e a canja da sogra, dicas para ser uma boa sogra e como estas são chamadas em diferentes línguas mundo afora.

Estão lá causos e curiosidades sobre as sogras desde a mitologia romana (Vênus ficou muito enciumada ao ver seu filho encantado pela beleza de Psiquê) até a era digital, onde a internet se tornou ao mesmo tempo campo de batalhas e mural de elogios para sogras e noras.

Trechos do livro

“A história está cheia de citações de sogras que subestimaram os genros. A sogra do compositor norueguês Grieg comentou sobre ele: ‘Ele não é nada e não tem nada, e escreve música que ninguém quer ouvir’.O primeiro encontro entre a sogra e a nora é também matéria-prima de lendas por ele poder determinar o rumo do relacionamento. Foi com essas preocupações em mente que a atriz de cinema Marilyn Monroe foia presentada à mãe do dramaturgo Arthur Miller, de quem já estava noiva. O casal foi jantar no pequeno apartamento da sra. Miller, no Bronx, e Marilyn estava sedando bem com a futura sogra. Porém, um pouco antes de saírem, ela precisou ir ao banheiro. Havia apenas uma porta fina entre a sala de estar e o banheiro, então, para evitar o constrangimento de eles a ouvirem no outro cômodo, ela abriu as torneiras da pia. Ao sair, eles se despediram e, no dia seguinte, Arthur telefonou para a mãe e perguntou: ‘Gostou dela?’.E ela respondeu: ‘Ela é doce. Uma garota maravilhosa, mas urina como um cavalo!’.”(p.28)

Leia o 1º capítulo

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Casos de amor e ódio

Na contramão do que prega o senso comum, Luisa Dillner mostra que há na História inúmeras provas de amor, por vezes incondicionais, entre sogras e genros. Edgar Allan Poe, por exemplo, nutria tanta adoração por sua sogra que, em sua ausência, escreveu cartas desesperadas de saudade, e em uma delas chegou a declarar –“a amo mais do que 10mil vidas”; acabaram enterrados lado a lado. E o poeta inglês John Keats morreu jovem demais (com apenas 24 anos) para se casar oficialmente com a bela Fanny, mas foi a mãe desta quem cuidou de sua tuberculose.

Por outro lado, há registros de repulsa por toda parte. Os  korawais, em Papua Nova Guiné, não podem entrar no campo de visão de suas sogras, e vice-versa; a comida de ambos é preparada separadamente, e não é permitido que dividam louças e talheres entre si. Em Delhi, o Supremo Tribunal determinou que um marido pode se divorciar de sua mulher se esta se recusara conviver harmoniosamente com a sogra. Enquanto isso, na Itália, as sogras estão sendo acusadas pelo aumento das separações: uma pesquisa divulgou que a taxa de divórcio aumentou em quase 50% entre 2000 e 2002 e que há registros de que três em dez casamentos fracassaram por causa da ligação íntima incomum dos homens italianos com suas mães.

Vilãs ou santas, alvos de antipatia ou de gratidão infinita, o que a obra de Luisa Dillner confirma, com suas inúmeras histórias saborosas e polêmicas, é que existem sogras de todo o tipo. Em comum, porém, um traço inconteste: não passam despercebidas. Impossível olhá-las do mesmo jeito depois da leitura deste livro.

A autora

A médica e escritora inglesa LUISA DILLNER é colunista de  The Guardian  e foi diretora de publicações do British Medical Journal Publishing Group. Colabora para vários jornais e revistas, como Vogue, Cosmopolitan e Observer. A maternidade é um tema recorrente em seus textos que, não raro, são considerados fonte de ideias inovadoras. A autora vive em Londres, com seus quatro filhos.

Dados bibliográficos

O LIVRO DAS SOGRAS
Uma celebração
LUISA DILLNER
Trad. Lourdes Sette
14x 21cm, 320p.
Não ficção, comportamento, cultura, relacionamentos familiares
ISBN 9788563876171

Um minucioso retrato da sociedade brasileira do Segundo Reinado

Ubiratan Machado retrata a história cultural de um período essencial para o entendimento da complexa relação entre literatura e vida social no país

Em 1820, o comércio livreiro ainda engatinhava no Brasil. Quem fosse a uma das únicas quatro livrarias do Rio de Janeiro, encontrava de tudo – tinta, rapé, chás e porcelanas. Livros, porém, eram escassos, e limitados à esfera de novelas populares e manuais de devoção. A efervescência de salões literários e a boêmia, por conseguinte, eram coisa de outro mundo –nestas terras, o hábito era dormir com as galinhas.

A situação começou a melhorar a partir de 1840, quando d. Pedro II, ainda menino, assume o trono. A paixão do imperador pelas letras, associada ao encurtamento da distância com a Europa – com o surgimento do telégrafo elétrico, entre outras transformações – foi decisiva para a valorização da literatura nacional. Nada disso, porém, anulava o menosprezo e a desconfiança com que poetas e romancistas eram vistos pelos comerciantes e pela burguesia.

A vida literária no Brasil durante o romantismo é um vigoroso estudo sobre a afirmação da literatura no contexto do Segundo Reinado. Ubiratan Machado recria os principais aspectos do ambiente intelectual brasileiro em uma época imprescindível para se compreendera complexa relação entre literatura e sociedade no país. Com isso, cria não apenas um retrato da esfera literária, mas, sobretudo, faz uma deliciosa descrição dos padrões de comportamento da sociedade da época.

Trechos do livro
“As primeiras gerações românticas iniciaram a tradição dos escritores se reunirem em livrarias, transformadas quase em clubes de bate-papo literário, com livre trânsito para fofocas, algumas maldosas, leitura de poemas, elogios mútuos e consulta regalada às últimas novidades chegadas de Paris.

Esse prazer, desconhecido das gerações anteriores, afirma-se nos anos 1830, em sinal inequívoco de estabilidade da vida do país e de enriquecimento de sua vida intelectual. Pode-se dizer, parodiando uma máxima da belle époque, que o Brasil civilizava-se. Um quadro muito diferente do que predominara até o início da década anterior.”(p. 67)

Com uma pesquisa abrangente e detalhada, o autor aborda a emergência, enfim, de um público nacional para as letras; o nascimento da vida literária em livrarias, cafés e confeitarias; a popularização da poesia; o surgimento da crítica; a modernização das bibliotecas e a consagração dos salões. Além disso, lança luz sobre personagens-chave neste processo, como o editor Paula Britto e o próprio imperador. Esmiúça como os estudantes e as mulheres, que viviam suas primeiras aventuras de libertação, foram essenciais para a consolidação do público leitor brasileiro. E, ao narrar a evolução do mercado editorial no país, chega a minúcias como o valor exato pago por romances como O guarani e A moreninha.

Diante de tudo isso, as anedotas referentes ao período não ficam de fora. Ubiratan Machado resgata figuras como o frei Bastos Baraúna, religioso que entoava as mais arrebatadoras homilias quando se encontrava recém-saído da cama de meretrizes ou das mesas de jogo. Ou como o mórbido Tibúrcio Antonio Craveiro, autor da primeira tradução de Byron no Brasil.

Segundo os relatos da época, o escritor teria sua casa decorada com aparelhos de tortura, múmias e gravuras macabras. As paredes seriam salpicadas de sangue; sua mesa de trabalho, uma lousa de mármore negro, retirada da sepultura de uma donzela.

A vida literária no Brasil durante o romantismo retorna às prateleiras em reedição revista e ampliada, com projeto gráfico totalmente reformulado. Um roteiro ilustrado integra o volume, com uma seleção de desenhos, caricaturas e litogravuras que representam bem a época. Estão lá, por exemplo, as imagens da Semana Ilustrada, publicação de destaque no período romântico, e de periódicos como Vida Fluminense e o raro Bazar Volante.

O autor
Ubiratan Machado nasceu no Rio de Janeiro, em 1946. Jornalista, escritor e tradutor, estreou na literatura com Os intelectuais e o espiritismo. Publicou ao todo 18 títulos, entre os quais Machado de Assis, roteiro da consagração, A etiqueta de livros no Brasil, Dicionário de Machado de Assis e  Pequeno guia histórico das livrarias brasileiras. Recebeu da Academia Brasileira de Letras a medalha João Ribeiro, por serviços prestados à cultura brasileira.

Para entender a indústria do futebol mundial – Soccernomics

Soccernomics

Obra disseca os bastidores do futebol com análise de dados e curiosidades da
cultura e da economia do esporte

Livro-sensação em vários países, Soccernomics tem sido aclamado como uma das mais reveladoras obras sobre o futebol. E também como uma espécie de equivalente futebolístico do célebre  Freakonomics. Além da óbvia inspiração do título, afinal, a obra também aplica princípios socioeconômicos na explicação de fenômenos cotidianos –– no caso, da rotina que envolve o mundo da bola –– o livro é, como o primo-irmão que se tornou best-seller planetário, recheado de ideias revolucionárias, provadas por meio de um vasto aparato de dados e análises.

Com estatísticas impressionantes e verdadeiros furos de reportagem, a dupla (formada por dois ingleses, um jornalista esportivo, Simon Kuper, e um economista, Stefan Szymanski) apresenta dados espantosos, todos eles provados com tabelas, gráficos e estudos de caso.

O subtítulo resume a carga de polêmica e as doses de profecias que habitam suas páginas: “Por que a Inglaterra perde, a Alemanha e Brasil ganham, e os Estados Unidos, o Japão, a Austrália, a Turquia — e até mesmo o Iraque — podem se tornar os reis do esporte mais popular do mundo”. Fato é que, num terreno minado por tantas paixões e superstições, a dupla de autores deu forma a um dos mais cerebrais, meticulosos e envolventes estudos sobre o mercado do futebol. Em uma tacada só, Kuper e Szymanski juntaram a análise de dados, a estatística, o jornalismo, a economia e a sociologia para compreender o futebol em suas diferentes facetas. E com isso deram origem ao mais completo e interessante registro dos bastidores do esporte mais popular do mundo.

O futebol inglês discrimina os negros? Por que os clubes não ganham dinheiro? Torcedores são polígamos? As pessoas saltam do alto de prédios quando seus times perdem? Os pênaltis são realmente injustos? São perguntas como essas que norteiam Soccernomics. Os autores justificam: “Queremos introduzir novos números e novas ideias no futebol: números de suicídios, de gastos em salários, de populações de países, de tudo que ajude a revelar novas verdades sobre o esporte”.

Trechos do livro

“Mudar para um emprego em outra cidade sempre é estressante; mudar para outro país é ainda mais. O desafio de se mudar do Rio de Janeiro para Manchester envolve ajustes culturais que não se comparam a se mudar de Springfield, Missouri, para Springfield, Ohio. Mas os clubes europeus que pagam milhões de dólares por jogadores estrangeiros com frequência não estão dispostos a gastar alguns milhares a mais para ajudá-los a se instalar em suas novas casas. Em vez disso os clubes normalmente dizem: ‘Tome uma passagem de avião, venha e jogue de forma brilhante desde o primeiro dia’. O jogador não consegue se adaptar ao novo país tem um desempenho medíocre e o passe pago pela transferência é desperdiçado. ‘Realocação’, como o setor de consultores de adaptação chama isso, é uma das maiores ineficiências do mercado de transferências.” (p. 66)

“Embora Romário tenha trocado o PSV pelo Barcelona em 1993, ele continua a ser um ídolo na Holanda. Quando as pessoas do PSV se lembram dele hoje, não falam sobre seus gols, mas sobre suas estripulias fora de campo. Hans van Breukelen, na época goleiro do time, ainda se encanta com a frase-padrão de Romário, dita em seu holandês imperfeito, mas bastante eficiente: ‘Eu sou Romário e quero fazer sexo com você’.” (p. 72)

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Algumas das informações reveladas em  Soccernomics derrubam mitos antigo sem torno do futebol. É o caso da velha ideia de que mais pessoas cometem suicídio durante a Copa do Mundo; Szymanski e Kuper provam exatamente o contrário – o futebol, em vez de estimular suicídios, impede que milhares de pessoas se matem.

Muitos desses estudos de caso interessam especialmente a nós, brasileiros, protagonistas de muitas páginas de Soccernomics, que ganhou conteúdo exclusivo para a edição brasileira, mais completa e polêmica que a original. O livro comenta as dificuldades que os jogadores brasileiros têm de se adaptar à cultura europeia, sobretudo quando são comprados por times do Norte. E revelam como essas dificuldades provocam impactos em suas atuações. Por outro lado, relembram histórias pitorescas de nossos craques – como os atacantes Romário, Ronaldo, Robinho, e o goleiro Marcos, por exemplo. E tocam, ainda, num tema crucial para o país: o que podemos esperar das próximas Copas do Mundo, como competidores e como anfitriões.

Soccernomics expõe, ainda, os principais motivos do fracasso de alguns técnicos. Analisa o papel dos mais importantes campeonatos de futebol do mundo. Aborda os efeitos que os principais preconceitos que gravitam sobre o esporte exercem sobre as atuações de jogadores e times. Mostra a evolução e o impacto da audiência em diferentes países, o resultado das pressões das torcidas sobre os clubes. E traça um mapa atualizado da geopolítica do futebol.

Os autores

SIMON KUPER – Um dos maiores cronistas de futebol reconhecido internacionalmente. Seu livro  Soccer Against the Enemy ganhou o prêmio William Hill de Livro de Esportesdo Ano, na Inglaterra. Kuper é colunista esportivo do Financial Times. O autor vive em Paris.

STEFAN SZYMANSKI – Professor de economia da Cass Business School, emLondres, é considerado um dos maiores economistasesportivos do mundo. O autor vive em Londres.

Dados Bibliográficos

SOCCERNOMICS
Por que a Inglaterra perde, a Alemanha e o Brasil ganham, e os Estados Unidos, o Japão, a Austrália, a Turquia – e até mesmo o Iraque – podem se tornar o esporte mais popular do mundo.
SIMON KUPER & STEFAN SZYMANSKI
16 x 23cm, 312p.
Futebol, economia, negócios, sociedade, cultura
ISBN 9788563114105